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O Colégio

MARIA DE FÁTIMA MATIAS desde cedo foi uma sonhadora e tornou-se, ao longo dos tempos, uma desbravadora. Seu primeiro emprego na área da educação foi em Alagoinhas, município de Igreja Nova. Devido o estado de destruição em que se encontrava a Escola para onde fora designada, iniciou uma verdadeira luta para restaurá-la, assumindo assim, a função de diretora. A referida escola que antes era denominada de Escola Isolada de Alagoinha, passou a se chamar Escola Joaquim Leite Sampaio, em homenagem a uma antiga professora. Com a ajuda do atual prefeito de Igreja Nova, Sr. Elias Santos ( in memorian), revolucionou a Escola e o município de Alagoinhas com os eventos que proporcionava, deixando a população maravilhada. Porém, por motivos políticos, no governo de Fernando Collor e Moacir Andrade, foi substituída por uma diretora de Igreja Nova e passou a trabalhar no Tabuleiro como professora só assumindo o cargo de diretora algum tempo depois. Neste período, a escola de Alagoinha foi fechada e a população passou a reivindicar a sua volta, no que foi atendida pelo governador Moacir Andrade. Contudo, o entusiasmo já não era o mesmo… Passou a alimentar o sonho de ter sua própria escola, de onde não precisasse ser transferida e poderia fazer tudo o que contribuísse para a construção de uma escola modelo, formadora de uma geração voltada para o futuro.

Um certo dia, quando viajava para Arapiraca, encontrou um velhinho que era arrastado, com muita dificuldade, por seu neto. Ambos estavam indo para o Banco do Brasil. Sensibilizada com a situação ofereceu-se para levá-los, quando, na volta, ao passar em frente ao prédio do seminário, lhe surgiu a idéia de montar ali, a sua escola. Imediatamente procurou o Bispo D. Constantino, apresentou-lhe o seu projeto e a sua intenção de alugar o prédio. Este, orientou para que ela procurasse a senhora Rosiete para tratar do referido assunto. Esta, porém não se entusiasmou com a idéia, dificultando, assim as negociações. Diante das dificuldades apresentadas pela senhora Rosiete, voltou a procurar o Bispo que se prontificou a reunir o Clero Diocesano para encontrar uma solução que a beneficiasse, uma vez que compactuava com o seu projeto. Fátima, mesmo confiante na boa intenção do Bispo, resolveu procurar os padres que faziam parte do Clero e descobriu que entre outro estavam o Pe. Aldo, Pe. Pedro e Pe. Rosalvo, os quais lhe deram todo apoio. Resolvida essa questão, foi orientada a procurar o senhor Vinícius, contador da Diocese, que lhe cobrou uma exorbitância pelo aluguel. Contudo, estava decidida a realizar seu sonho que aceitou pagar a quantia pedida pelas salas que usasse. Durante as negociações com a Diocese, e já convicta de que venceria mais essa luta, vendeu o carro e o telefone, viajou para Arapiraca e comprou o mobiliário com que montaria as primeiras salas de aula da sua escola. Em seguida contratou as primeiras aliadas: as professoras Leide, Nilda, Magda, Cilene, Fatinha, Mônica, Clésia e Adriana, que já iniciaram mimeografando os trabalhos em sua casa. Todavia, as dificuldades não cessavam.

A senhora Rosiete não encontrando as chaves do prédio do seminário entregou-lhe apenas uma que não lhe favorecia. Diante disto, algumas mães percebendo que se tratava de uma resistência por parte de alguns que não simpatizava com a idéia dessa escola, resolveram matricular seus filhos de qualquer forma. Daí, as primeiras matrículas foram feitas por mães determinadas que, pulando as janelas das salas deram início para a formação das primeiras turmas da Nova Escola. Mães guerreiras como: Rose,… (esposa do Eurípedes da CODEVASF), Gorete, Lenilda, etc, que trouxeram para a escola os primeiros alunos como: Adriana, Juliano, Davi, Ihara, Alyni, Hugo, além de Fábio e Fernanda, filhos de Maria de Fátima Matias dos Santos.

O ano letivo de 1993 iniciou com turmas do maternal á 3ª série, com 47 alunos. Cada data comemorativa era celebrada com uma festa, e a cada festa comemorada mais alunos iam chegando, finalizando, portanto, esse primeiro ano, com 105 alunos matriculados. Mediante as dificuldades por estar em um prédio alugado, Fátima resolveu procurar os donos do terreno baldio que ficava ao lado do seminário. Tratava-se de dona Lordes Gonçalves que aceitou a proposta de venda que lhe fora apresentada. No prazo de 20 dias, conseguiu o dinheiro com a venda de um telefone e de uma casa que tinha na praia do Peba. Depois da compra efetuada, limpou o terreno e fez o alicerce. Precisou viajar ao Paraguai por 3 vezes, para comprar muambas e investir na manutenção da Escola. Em 1995, dois anos depois, metade da escola já funcionava no prédio novo e próprio.

O nome da escola, a princípio seria Escola Leôncio Matias, em homenagem ao seu irmão que muito lhe ajudou na realização deste sonho, porém, diante de tantas dificuldades enfrentadas, por ser devota de Nossa Senhora de Fátima, por coincidentemente já ser esse o nome do seminário e pelos pedidos feitos, a própria, batizou a sua escola com o nome de Escola de 1º Grau Nossa Senhora de Fátima.

Desde 1994 a escola participa do desfile de 7 de Setembro, tendo desde então sua própria banda. Os primeiros jogos internos foram realizados nesse mesmo ano e se repeti até hoje.

Atualmente, o Colégio Nossa Senhora de Fátima apresenta um quadro com vários funcionários e com turmas do Maternal a 3ª série do Ensino Médio. É bicampeã dos jogos da Primavera, com dois vice-campeonatos. Participou em 2006 das Olimpíadas Escolares onde consagrou-se Bi-campeã alagoana com a equipe de futsal/infanto feminino tendo o privilégio de participar da etapa Nacional em Poços de Caldas, MG. É reconhecidamente uma das maiores e melhores escolas privadas do nosso município, abrangendo cidades circunvizinhas.

É uma luta árdua e constante porém recheada de muitas vitórias e conquistas que impulsiona essa mulher guerreira e insaciável a querer sempre mais ver a sua Escola em um patamar cada vez mais alto dentro do cenário municipal, ou quem sabe, dentro do cenário alagoano.